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Aprendendo a aprender
Em entrevista ao site do Instituto Paramitas, o educador Eduardo Chaves, Professor Titular, aposentado, da UNICAMP, onde trabalhou durante 32 anos na área de Filosofia da Educação e Filosofia Política. Atualmente é coordenador da Cátedra UNESCO de Educação e Desenvolvimento Humano no Instituto Ayrton Senna e consultor da Microsoft na área de Tecnologia e Educação.
O educador, que também é integrante do International Advisory Board of Microsoft’s Partners in Learning, da Microsoft, ressaltou que “as instituições começam a perceber que a gestão de competências é muito mais básica e importante do que a gestão de conhecimentos ou informações”.
Qual deve ser o papel do educador do século XXI?
O papel do educador do século XXI será trabalhar com uma educação voltada para o desenvolvimento, por parte dos alunos, de competências e habilidades básicas que lhes permitam viver uma vida bem sucedida como pessoas, cidadãos, profissionais e aprendentes permanentes. Vivemos em uma época em que as instituições e os indivíduos estão interessados basicamente no que os outros são capazes de fazer (isto é, em suas competências e habilidades), e não no que sabem, ou nas informações que possuem, ou nos seus certificados e diplomas. As instituições começam a perceber que a gestão de competências é muito mais básica e importante do que a gestão de conhecimentos ou informações. O papel da escola e do educador será, pois, ajudar os alunos a desenvolver as competências e habilidades que são essenciais para o seu desenvolvimento.
Como a escola vem trabalhando essa questão?
A escola trabalha com dois tipos de competências e habilidades básicas: de um lado, a leitura, a escrita e o cálculo e raciocínio lógico-matemático; de outro, competências e habilidades que se situam dentro de disciplinas. Ela precisa agora focar as competências e habilidades básicas além das três mencionadas (a leitura, a escrita e o cálculo e raciocínio lógico-matemático), incluindo competências e habilidades orientadas para o desenvolvimento do indivíduo e da pessoa humana (aprender a ser), a convivência social (aprender a viver juntos), para o mundo do trabalho (aprender a fazer) e para o conhecer em diversas áreas (aprender a conhecer/aprender).
As Faculdades de Educação estão preparadas para formar esse novo profissional de educação?
Infelizmente, não. As Faculdades de Educação parecem não ter percebido que o mundo mudou.
Quais os desafios na formação inicial e continuada que o professor encontra para o desenvolvimento dessas competências?
O foco da formação é totalmente teórico, altamente ideologizado e politizado, e sem qualquer preocupação com o desenvolvimento de competências.
O caráter “multitarefa” das crianças e adolescentes de hoje, como nativos digitais, facilita o desenvolvimento dessas competências e habilidades na escola?
Não há dúvida de que facilita o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas ao uso da tecnologia. Mas eles precisam de mais do que isso. Precisam desenvolver competências e habilidades nas áreas indicadas na resposta à pergunta anterior (aprender a ser, aprender a conviver, aprender a fazer, aprender a conhecer/aprender).
O aprendizado por meio de projetos costuma ser alvo de críticas dos mais tradicionais, que dizem que os alunos não estariam “preparados” para o mercado de trabalho e para uma vida competitiva, uma vez que escolheram o que quiseram aprender e poderiam ser “imaturos” ao lidar com situações de estresse. Como o senhor responderia esta provocação?
O trabalho com projetos ajuda o aluno a desenvolver, além de competências e habilidades, autonomia, responsabilidade e maturidade. O mercado está a exigir esse perfil. O único lugar em que esse perfil não se ajusta direito são os testes e exames usados para aferir as condições do alunos para o prosseguimento de sua própria educação.
Conheça o blog de Eduardo Chaves: http://ec.spaces.live.com/
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